20.11.08

Mares

Para falar bem a verdade eu tinha um pouco de medo. Na verdade nao sei se era medo, mas sim aquele frio na barriga que sempre chega quando estou em uma situaçao que nao depende única e exclusicamente de mim. É que eu tinha meu pai ali, ajudando meu corpo a flutuar onda acima, ensinando-me como nadar. Naquela época meu pai dava de 1000 a zero em qualquer super herói de cueca por cima das calças (hoje...). Aprendi a nadar no mar e ele acabou se tornando um amigo e confidente de grande valia.

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Ah, a paixao...como ela pode ser dura (quando é apenas platônica). Para nao deixar que a dor me devorasse, saía pela praia, recolhendo conchinhas e depois me sentava na amurada para olhar as ondas. O ir e vir delas me trazia idéias, lembranças, ausências. Sofrer de paixao em frente ao mar, na maioria das vezes, é mais que necessário.

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Essa sua vida de praia, eu entendo. Fotos com as amigas, cabelos molhados escorrendo pelas caras de dentes brancos. Nostalgia de uma adolescência que se foi há...enfim, continuo. Entendo porque eu, que nunca havia pensando em morar próxima à praia, agora tenho o mar batendo quase à porta de casa. Pela janela ele entra, nao tenho como evitar e mesmo que pudesse jamais o faria. Junto, entra também o sol e ambos me tiram do cubo de concreto e me jogam na rua, vento na cara, cabelo desgrenhado. Quando vejo, já estou quase tocando a areia. O mar. Os mares. Tudo feito naturalmente, especialmente e afortunadamente só para mim.

2 comentários:

marcelo disse...

a brisa do mar, as brejas, bráites, brumas... parece que tudo tem te feito bem... Está produtiva, consistente e, até parece, contente... bjs

José Rosa (ZeRo S/A) disse...

Adorei.